"A pobreza é mais do que privação, é servidão", escreveu o filósofo suíço Henri-Frédéric Amiel.

Este pensamento recorda-nos que, fundamentalmente, a pobreza é um atentado à dignidade humana e aos nossos valores humanistas. A pobreza provoca sofrimento e privação, impede o gozo efetivo dos direitos e das liberdades fundamentais, e afeta ainda mais intensamente os mais vulneráveis, em particular as mulheres e as crianças.

Embora a taxa de pobreza extrema tenha diminuído entre 1990 e 2015 como resultado dos esforços consideráveis envidados a nível mundial, temos agora de nos mobilizar para mantermos esta tendência - pois devido às consequências económicas e sociais da pandemia de COVID-19, existe o risco de inversão desta dinâmica.

Para tal, é essencial adotarmos uma abordagem multifacetada que se debruce não só sobre a pobreza, mas também sobre as suas causas e consequências, em toda a sua complexidade - pois a pobreza não é apenas uma falta de recursos financeiros, pressupõe também uma falta de oportunidades.

E estas oportunidades só podem ser proporcionadas pelo acesso a uma educação de qualidade para todos, em particular para as raparigas. Neste sentido, a UNESCO fez da educação das raparigas e das mulheres uma das principais prioridades do seu mandato, para combater a pobreza na sua origem.

De acordo com o grande poeta persa Saadi, "o maior dos males é ter de suportar o fardo da pobreza". Assim, neste Dia Internacional, a UNESCO gostaria de convidar toda a comunidade internacional - Estados, mas também agentes da sociedade civil e empresas privadas - a redobrarem os seus esforços para pormos fim a este fardo.

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