25 de novembro de 2021

Durante o último ano e meio, a violência contra as mulheres aumentou, em todo o mundo.

A COVID-19 é um dos fatores que impulsionaram esta tendência abominável. A pandemia desencadeou um aumento de 25% da violência doméstica e violência online contra mulheres e raparigas em muitos países. Forçou igualmente milhões de raparigas a abandonarem a escola. Estima-se que 11 milhões de raparigas poderão nunca mais regressar às aulas, o que dará lugar a um aumento de casamentos forçados e gravidezes involuntárias nas próximas décadas.

No entanto, a COVID-19 está longe de ser o único motor da violência contra raparigas e mulheres. As jovens que defendem o direito das raparigas à educação, como Malala Yousafzai, sofrem ameaças e ataques. Mulheres jornalistas que defendem a liberdade de expressão, como é o caso de Maria Ressa (galardoada com o Prémio Nobel da Paz e com o Prémio Mundial da Liberdade de Imprensa UNESCO / Guillermo Cano 2020) estão a ser alvo de campanhas de ódio online.

Em suma, as mulheres que se opõem à opressão e lutam pelos seus direitos estão a ser silenciadas, o que é inaceitável. No entanto, apesar deste panorama sombrio, estão a ser levadas a cabo iniciativas encorajadoras.

Por exemplo, no Iraque, a UNESCO está a formar mulheres policiais para responder aos perigos aos quais as jornalistas estão expostas e ajudou a criar uma linha telefónica de assistência para denunciar as ameaças de que são alvo. Na República Democrática do Congo, uma rede de jornalistas de investigação recebeu uma bolsa do Fundo Global para a defesa dos meios de comunicação social da UNESCO pelo seu trabalho no âmbito da luta contra a impunidade dos ataques a mulheres jornalistas.

Todos os anos, a 25 de novembro, assinalamos o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, sensibilizando-as para este flagelo e celebrando os esforços já envidados para combatê-lo. Este ano, a UNESCO acolherá uma conferência com a escritora Tatiana Mukanire, uma sobrevivente de violência sexual e autora do livro Au-delà de nos larmes, com o objetivo de denunciar as violações e atrocidades às quais, ainda hoje, tantas mulheres estão sujeitas.

Esta luta para acabar com a violência contra as mulheres diz respeito a todos nós. Hoje, a UNESCO reafirma o seu empenho em assegurar que as sobreviventes da violência de género sejam ouvidas e escutadas. Através do poder da educação, da cultura e da comunicação, chamaremos a atenção para esta pandemia da sombra, que representa uma importante ameaça para os nossos valores e para as nossas sociedades.

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