O Dia Internacional da Língua Materna destaca, a cada 21 de fevereiro, a importância da diversidade linguística e do multilinguismo, esse património inestimável da nossa humanidade.

Esta edição celebra-se numa altura em que o mundo está a atravessar uma crise sem precedentes.

Esta situação tem consequências num momento em que as desigualdades em matéria educativa estão a aumentar em todo o lado - porque dos 1,5 mil milhões de alunos que se viram privados das suas salas de aula no auge da pandemia, demasiados ficaram sem soluções de ensino à distância acessíveis.

Além disso, é toda a diversidade cultural que se encontra ameaçada pelo cancelamento de festivais e cerimónias, ou pela fragilidade económica dos criadores e dos média.

Promover o uso da língua materna é, precisamente, promover simultaneamente o acesso à educação para todos e a disseminação das culturas em toda a sua diversidade.

Assim, o tema desta edição, "Promover o multilinguismo para a inclusão na educação e na sociedade", convida-nos a apoiar o multilinguismo e o uso das línguas maternas, tanto na escola como na vida quotidiana.

Esta é uma questão crucial porque, a nível mundial, 40% das pessoas não têm acesso à educação na língua que falam ou compreendem melhor, o que dificulta tanto a sua aprendizagem como o seu acesso ao património e às expressões culturais.

Este ano, está a ser dada especial atenção ao ensino multilingue desde a primeira infância, para que a língua materna seja sempre uma mais-valia para as crianças.

Tanto na educação, como em todos os setores da nossa sociedade, o multilinguismo é um fator-chave para a igualdade, e a UNESCO está empenhada em promovê-lo em todo o lado. Por exemplo, a Organização promove a diversidade linguística na Internet para melhorar o acesso universal à informação e ao conhecimento.

No mesmo espírito, e no âmbito da Década Internacional das Línguas Indígenas das Nações Unidas (2022-2032), da qual a UNESCO é a agência líder, estão a ser implementados planos de ação para fazer do multilinguismo uma prioridade central nas sociedades, em particular nas sociedades indígenas.

Assim sendo, tanto este Dia, como esta Década, nos colocam um desafio: preservar a diversidade linguística como nosso património comum.

Pois quando uma língua morre, com ela desaparece uma certa forma de ver, de sentir e de pensar o mundo, é toda a diversidade cultural que desvanece irremediavelmente.

Assim, neste Dia Internacional, a UNESCO apela à celebração do mundo em toda a sua diversidade e ao apoio ao multilinguismo na vida quotidiana.

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